Síndrome do Miado do Gato
Síndrome Crie-Du-Chat (
Síndrome do Miado de Gato ou do choro
do gato) é uma condição genética relativamente rara com uma incidência
calculada de 1:50000 nascimentos
e que é o resultado do “apagamento” de uma porção significante do
material genético do braço curto de um dos pares do cromossomo cinco.
Ocasionalmente um segundo cromossomo é envolvido. O nome da síndrome
veio com o característico choro dos recém-nascidos que muito faz lembrar
um miado de um gatinho. Foi descoberta por
Jérôme Lejeune, um geneticista francês, em 1963 , sendo por isso chamada também de
Síndrome de Lejeune. Outros nomes são
Síndrome 5p- (
cinco pê menos, ou seja, deleção do braço menor (p) do cromossomo cinco),
Síndrome da deleção do 5p e
Síndrome do miado do gato (tradução do francês
cri du chat).
Genética
Quase todos nós temos 46 cromossomos em nossas células, 23 da nossa mãe e 23 do nosso pai. Podem ocorrer erros quando as células estiverem se dividindo e os cromossomos podem se quebrar e/ou prender-se no lugar errado. Estes erros são comuns, e são uma parte normal da seleção natural, que permite às espécies mudar e
evoluir.
A maioria das falhas é causada por erros cromossomais que não são
compatíveis com a vida e, por isso, não geram seres que tenham longevidade.
Na CDC, a região crítica do cromossomo que contém genes que são
responsáveis pelas características principais da síndrome parece ser
localizada na faixa 5p 15.2. O gene que causa o choro, parece estar
localizado na faixa 15.3. Na maioria dos casos, o apagamento é
espontâneo e nenhuma causa específica pode ser identificada, porém, pode
ser o resultado de um problema com o cromossomo número 5 em qualquer um
dos pais, em alguns casos. Nestes casos, podem ser afetadas também as
crianças subsequentes e é, então, importante que os pais de crianças com
CDC recebam um conselho genético.
É possível descobrir a síndrome com amniocentese
ou CVS (
Chorionic Villus Sampling) no primeiro trimestre da gravidez.
Não é a "culpa" de qualquer um dos pais, e a maioria dos casos ocorre
inesperadamente, sendo herdados, aproximadamente, 20% de casos devido a
uma translocação
equilibrada (material de um cromossomo foi prendido a outro) nos
cromossomos de um dos pais. Pessoas com translocação equilibrada são
perfeitamente normais. Como nenhum material genético está perdido, eles
provavelmente não saberão que eles são os portadores, até que eles
tenham uma criança afetada, a menos que haja uma história de CDC de
Marne.
Outros nomes para doença
- Deleção no cromossomo 5p ou Síndrome do menos 5p
- Síndrome do choro de gato
- Síndrome de Lejeune
- Síndrome do miado do gato
Características da Síndrome
Importante ressaltar que nem todos os indivíduos com CDC terão estas características.
Bebê
- alto e longo choro ao nascer
- choro de gato
- baixo peso ao nascer
- cabeça pequena (microcefalia)
- rosto redondos (rosto de lua)
- olhos amplamente espaçados
- baixa ponte nasal
- desenvolvimento atrasado
Crianças e Adultos
- de baixa estatura e magro
- hipotonia (tônus muscular deficiente)
- queixo pequeno
- mandíbula pequena (micrognastia)
- retardamento mental
- uma única linha na palma da mão (prega de símio)
- sindactilia nas mãos e pés
- pregas magras logo à frente das orelhas
- orelhas inseridas abaixo da linha do nariz (pode ser malformação)
- hipertelorismo
- dobras de pele em cima da pálpebra superior (epicanto)
- dificuldade com chupar, tragar e apresentam refluxo gástrico
- dentes projetados para frente, porém de tamanho normal
- dedos longos
Tem ainda problemas físicos secundários, como moderados prejuízos visuais, perda parcial da audição,
lábio leporino e anormalidades de esqueleto, como escolioses
, deslocamento de quadris e hérnias
.
Constipação crônica é muito comum ao longo da vida e muitas crianças tem, com
freqüência, infeções no ouvido e respiratória. Algumas crianças
apresentam ainda anormalidades internas, como problemas no coração,
ausência ou má formação de rins, paladar afetado e músculos abdominais
separados e epicanto. Ao contrário do que antigas literaturas médicas
trazem, crianças com CDC podem viver por vários anos. As pessoas com a
síndrome envelhecem precocemente.
A pessoa mais velha, com a síndrome, de que se tem notícia está no seus oitenta anos de idade.
Tratamento/Intervenção
A anormalidade cromossômica não tem cura até o momento, assim, o
tratamento só pode ajudar as crianças a se desenvolverem o melhor
possível. A intervenção dos fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas
ocupacionais, quando contínuas e não tardias, é de grande necessidade e
ajuda. Dependendo onde a pessoa com síndrome mora e os recursos que
possui, há berçários especiais ou programas de intervenção em casa na
maioria das regiões (tratando-se do mundo como um todo).
Crianças com CDC, provavelmente precisarão de muitos equipamentos,
dependendo da idade. Eles talvez precisem de cadeiras especiais,
talheres e tigelas para comerem; cadeira de
potty ou adaptações
no banheiro; uma armação para auxiliar a andar e ficar em pé; adaptações
na cama e/ou no quarto para mante-los seguros à noite.
Para algumas crianças, as drogas tem sido de grande auxílio, para
problemas relacionados com o sono e para controlar seus comportamentos.
Uma vasta gama de crianças freqüentam escolas especiais, por outro lado, outras tem um suporte especial domiciliar.
Teste pré-natal
Há dois testes que podem ser feitos antes do bebê nascer, que constatam a síndrome de Cri du Chat. São eles:
- Amniocentese, que pode ser feito por volta da 18º semana e que se
restringe a retirada de um pouco do fluido amniótico, e olhar o
cromossomo que está na célula do bebê. Este teste tem erro na ordem de
1:100.
- Chorionic Villius Sampling (CVS), pode ser feito semanas antes do
teste de aminocentese, e se delimita à retirada de um pedacinho ínfimo
da placenta e olhar o cromossomo. Este teste traz um risco maior para o
bebê, de 2:100. Não era para ocorrer erros em nenhum dos teste para CDC,
a menos que eles estivessem procurando especificamente para CDC, mas os
testes de rotina procuram primeiramente para a síndrome de Down.
Em alguns países já é possível, para casais portadores, fazerem o
tratamento IVF, que assegura que o embrião que será implantado na mãe é
saudável.